Ultimamente há tanto para ler que não sabemos por onde começar.
Basta abrir os olhos que pronto, já estamos lendo. Ou melhor, isso não chega a ser necessário porque também lemos dormindo não é?
Pensar que antigamente, nos tempos onde só a tecnologia tipográfica dava conta do recado. Ou até mesmo antes disso, quando ouviamos as histórias contada por pessoas que tinham todo o tempo do mundo para isso e que era essa a sua tarefa, a mesma dos livros e da internet hoje, por exemplo.
Um claro exemplodeste ato, é o filme Narradores de Javé, onde evocamos os contadores dos contos de uma tradição brasileira bastante conhecida, a de "contar causos" para passar o tempo. Essas histórias só precisam de dois recursos tecnológicos para existirem e serem divulgados, a memória e a oralidade, que é muito bem trabalhada pelos narradores de javé. Para isso, ele "apenas" usa toda a sua bagagem de vida, seus conhecimentos prévios e toda a sua desenvoltura letrada.
Este letrar segundo Soares (2002), é o estado ou condição do indivíduo ou grupo sociais de sociedades letradas que exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e escrita, participam competentemente de eventos de letramento.
Sendo assim, as ações desenvolvidas por Biá no filme de "florear", inventar fatos para aumentar a circulação de escrita e leitura na cidade é nada mais que eventos de letramento, onde as pessoas mantêm com os outors e com o mundo atos interacionistas determinando sua inserção na sociedade.
Fato esse que ocorre de maneira deferente nos dias atuais, com a expansão da tecnologia nos meios de comunicação a informação está cada vez mais rápida e divulgada propiciando a criação dos hipertextos e reformulando o conceito de letramento como único e fechado, no singular. Temos que pensar e agir sobre letramentos, no plural, propiciado pelas recentes mudanças citadas acima.
O momento atual oferece uma oportunidade extremamente favorável para refinar, tronar mais claro e peciso o conceito de letramento[...], um momento privilegiado para identificar se as práticas de leitura e de escrita digitais, o letramento na cibercultura, conduzem a um estado ou condição diferentes daqueles a que conduziam as práticas de leitura e de escrita quirográficas ou tipográficas (Soares,2002).
A escrita ocupa um espaço diferente na sociedade atual onde ela é usada para transcrever a fala, a notícia, a vida das pessoas através do computador. Digitamos o que falamos e lemos o que falariamos se existisse interação verbal pela oralidade; o "contar causos" de Biá tornou-se algo adaptado para apresentar uma nova convivência intelectual através da rede mundial, através da internet. Histórias, "causos" e tudo o que precisamos saber e ler está diponível em segundos diante do nossos olhos, dos nossos dedos condidionando uma relação entre escritor e leitor, escritor e texto, entre leitor e texto e entre o ser humano e o conhecimento.
Essa mudança nada mais é do que o letramento digital, isto é, estado ou condição que adquirem os que se apropiam da nova tecnologia digital e exercem práticas de leitura e de escrita na tela, diferente dos que exercem essas práticas no papel. Isso ocorre e ocorrerá cada vez mais de maneira atual possível e com cada vez mais pessaos adquirindo essa nova prática.
Concluimos assim, que a tela como espaço de escrita e de leitura traz não apenas novas formas de acesso à informação, mas também novas formas de conhecimento e assim, novas formas de ler e escrever, novo letramento.
Bibliogarfia:
SOARES,Magda. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. São Paulo,
Educ. Soc., Campinas, vol. 23, 2002. In. http://www.cedes.unicamp.br
Filme: Narradores de Javé. Brasil,2003. Direção: Eliane Caffé